Esconde-se em lábios de mel
Uma suavidade que há muito não via
Ao teu lado descubro meu céu
Na mais bela arte da simpatia
A silhueta moldada em papel
Devolve-me o trunfo da nostalgia
O romântico retira-lhe o véu
que a timidez fardara-te um dia
O coração me domina insensível
Guiando-me às rotas de tua alegria
Empurra meu corpo, irredutível
Aos teus braços, num movimento inerte
Traz-me, logo, esse amor irresistível
Da mais bela dama celeste
sexta-feira, 11 de junho de 2010
Dama Celeste
sexta-feira, 28 de maio de 2010
O Par
Os primeiros passos mal desfilavam
Os vultos se curvam, decerto, errantes
Os olhos, raro e ao longe, miravam
O acanhamento de cada semblante
Nada como o tempo ditando o compasso
Da vida dos casais em perfeita sincronia
Sapatos a rigor me guiam aos teus passos
E os pares se entreolham à luz da fantasia
Eis que na iminência do passo derradeiro
O amor bate à porta do jovem coração
Trazendo à tona feliz cavalheiro
Com delicada dama segura na mão
quinta-feira, 13 de maio de 2010
Verdade
A verdade nua e crua, tal qual a de um sorriso
Produz certeza clara, o indubitável conciso
A mentira desonesta no clamor do governante
Corrobora triste tese da integridade errante
A convicção dos fatos transcende a inferência
Deturpando falsos atos, recobrando as evidências
Fidedignas palavras na mente de um mal cunho
Me condenam, de repente, a um falso testemunho
A completa extinção do apego ao verdadeiro
Transforma simples sonhos em percalços derradeiros
Por isso, meu amigo, siga sempre a honestidade
P'ra que desmedido encanto não fuja à veracidade
quinta-feira, 29 de abril de 2010
Cidade Solidão (2ª Versão)
Ermas ruas da cidade solidão
Onde caminho sem rumo
Sem motivo, nem razão
Onde as rotas mais avulsas
Me direcionam à contramão
E a passarela de outrora
Perdeu a alcunha de Calçadão
Ermas ruas da cidade solidão
Onde o inverno congela tudo
O que um dia já foi emoção
Onde os pássaros já não cantam
Nas manhãs do meu verão
E belas tardes ensolaradas
Do Arpoador ao Galeão
Desvaneceram como o vôo
Fugaz e súbito do avião
Ermas ruas da cidade solidão
Onde as flores que desabrochavam
Perderam seu charme em botão
Onde a promessa de sucesso
A nordestinos que chegavam
Fadava-se ao regresso
E ao demérito da exclusão
Ermas ruas da cidade solidão
Onde os prédios mais bonitos
Desmoronaram no chão
Onde o boêmio virou mito
Nos Arcos de prostituição
E os braços do Grande Homem
Já não enlaçam a população
Ermas ruas da cidade solidão
Onde o templo do futebol
Sepultou os pés de Zico e Tostão
E o rock dos brasileiros
Não viu Cazuza nem Legião
Ermas ruas da cidade solidão
Onde a guerra sobrevive
Entre drogas e munição
Onde os tempos mais difíceis
Vieram de supetão
E nas horas mais perversas
Encontro refúgio no coração
terça-feira, 13 de abril de 2010
Dedé
Empolgação costumeira
Impossível cogitar meu carinho medir
Solícita hospedeira
Inexplicável saudade de ti
Foram tempos deveras cruéis
Levando-nos a fantasia
E a distância veio então
Sonhar não custa dez mil réis
Cabe a cada um a sabedoria de ver...
Há amigos dentro do coração
Fê
Faço de minha rotina
Escrever sobre amores mundanos
Recordo-me duma dançarina
Não faz tempo, menos de um ano
Ainda embora um anjo seja
Não tive o bel prazer
De que finalmente a veja
Assim, então, conhecer
Mas o dia há de chegar
Um bocado mais espero
Lenta como a tempestade
Leva um tempo para passar
E eu anseio, bem sincero
Reforçar essa amizade
domingo, 4 de abril de 2010
A Despedida
Eram 10 da manhã. Ele levantou da cama, pegou seus chinelos, vestiu um casaco e saiu de casa. No jardim, olhou para o céu. O tempo virara. Talvez fosse simbólico. Um clima ameno, uma fina brisa soprava contra seu rosto, um frio leve, uma manhã de despedida. Sentou-se na rede a olhar para o infinito azul do céu. Encolheu-se a fim de se manter aquecido. O calor o fazia lembrar da amada, de seu colo terno e quente. Pela cabeça, passava a retrospectiva dos últimos dias, todos os momentos felizes dos quais jamais esqueceria.
Lembrava do quanto fora engraçado comparar o sotaque do Rio Grande do Sul com o carioca. Lembrava das maravilhosas pessoas que havia conhecido por lá. Lembrava do chimarrão que não lhe agradara muito. Lembrava de como seu amigo se tornara seu fiel companheiro de viagem, e ria-se ao vê-lo dormindo desajeitadamente no sofá. Lembrava da cidade de Nova Petrópolis, aconchegante e acolhedora, tal como a casa em que se hospedava. Lembrava, apesar de ainda estar por lá, pois a saudade já batia forte. Acima de tudo, porém, lembrava-se da guria. A sua razão de estar ali. O motivo de tanto esforço. Aquela que o fazia o homem mais feliz do mundo, em sua modesta e sincera opinião. Os momentos com ela passaram rápido demais, pensava ele. Rápidos como o vento que agora incidia sobre sua face.
De repente, desviando seu olhar vago por não mais que um segundo, ele percebe a presença dela, se aproximando, agasalhada a se proteger do frio, como ele. Levantou de um salto e correu a seu encontro. Beijou-lhe os lábios, apertou-lhe as rosadas bochechas, as quais ele jurava atraírem-no por completo, e abraçou-a. Após certa troca de carinhos, ela o alertou que deveria ir para casa, para ambos se arrumarem para a despedida. Concordando, ele a largou. Dentro de casa, percebera que sua doce hospedeira já acordara, tal como seu sonolento amigo. Recebeu um leve tapa nas costas desse último, como cumprimento. Teria muito a agradecê-lo pela companhia numa longa viagem, mas pensou deixar isso para uma mesa de bar no Rio de Janeiro. Arrumou calmamente suas malas. Percebeu que a carga diminuíra, uma vez que dera presentes a várias pessoas, dentre elas, sua amada gaúcha. Quando acabou, rumou para a cozinha, onde observava com certa melancolia a hospedeira preparar o almoço. Sempre solícita e amorosa, deu-lhe um forte abraço. Sentia-se, agora, um pouco melhor.
Pratos limpos, já era hora de levar as bagagens para o carro. Sua guria já havia voltado. O chofer, outra grande figura, havia acabado de estacionar. Os levaria até a rodoviária. Restava ainda uma hora. Resolveram tomar um café, enquanto papeavam sobre a viagem. A hora passou rápida como o vento da manhã e as altas conversas deram lugar a uma caminhada silenciosa até a rodoviária. O grupo se desmembrou para esperar o ônibus, de modo que sobrassem ele e ela sozinhos. Abraçaram-se por um longo tempo, o suficiente para ser o mais inesquecível abraço que já recebera. Juras de amor e frases feitas não diziam nada, naquele momento. Os olhos nos olhos poupavam as palavras. Seus olhos começaram a marejar. Ela logo os secou, lembrando-lhe da promessa da noite anterior na qual dissera não chorar em sua presença. Ele parou em um profundo soluço e engoliu em seco.
O ônibus chegara. Era hora de terminar aquele sonho, aquele tempo estacionado na realidade dura da vida. Ele a beijou e deu meia volta. Não por falta de educação, mas sim porque não dava mais para segurar. Ele entrou no ônibus e sentou-se, inconsolável. Seu parceiro veio ao lado, dando-lhe um abraço. Ele ainda chorava copiosamente. Minutos de silêncio depois, seu colega disse: “É bonito demais ver vocês dois juntos...”. O garoto levantou a cabeça, secou as lágrimas e sorriu. Finalmente, virando-se ao amigo, falou: “Foram momentos incríveis, meu caro. De fato, não me arrependo de nada. Uma pena ter chegado ao fim. Mas deixa estar. Voltaremos em breve...”.
domingo, 28 de março de 2010
Descaminhos da Juventude
Diante de fatos cada vez mais costumeiros do nosso cotidiano, me vejo obrigado a esclarecer certas coisas sobre a nossa atual juventude. Antes de tudo, é bom alertar, as nossas crianças mudaram. Muito. É exatamente essa metamorfose que tenho me proposto retratar por aqui e é chegada a hora. Pois bem, vamos lá.
Onde estão as crianças que antes brincavam com seus bonecos e se divertiam sem outras preocupações? Talvez isso não seja novidade pra você, leitor, mas isso é coisa rara hoje em dia. Em pleno início de puberdade, encontramos jovens cada vez mais “maduros” quanto a certos assuntos. Vejamos.
Os relacionamentos entre homem e mulher já criam suas raízes prematuramente. E a frequência deles, idem. Essa é a chamada “pegação” na qual os galinhas (pegadores, se preferir) já dão as caras com seus 14 anos. Falando desse modo, as garotas parecem sair ilesas desse processo. Mas não é bem assim. Aliás, isso nos leva a outro tópico: como ficam as mulheres diante de tanto assanhamento e assédio? Sejamos francos, as mulheres brasileiras têm se tornado bastante fiéis à moda da “poligamia consentida”. Não digo todas, longe disso, vejam bem. Esperem eu terminar a linha de raciocínio para depois tacarem as pedras. Pois então. A facilidade encontrada para sair com aquele outrora tão sonhado beijo romântico é imensa. E não apenas um na mesma noite! Dito isso, vejamos o que as levou a tanto.
Sendo curto e grosso, a culpa é toda dos homens. Sim. Única e exclusivamente nossa. Se a infidelidade não imperasse no sexo masculino, as mulheres não seriam obrigadas a se submeter a esse regime de “ficanças” aqui e acolá. É bem verdade que as mulheres tem liberdade para decidirem o que quiserem, mas se têm a opção de tomar esse caminho, foi porque os homens abriram essa brecha. A voz ativa das mulheres nunca foi tão grande quanto agora, por isso digo que elas correrram atrás do método masculino, visto que antes se subordinavam a eles, se limitando a tarefas caseiras, enquanto os mesmos trabalhavam. Para não sofrer à procura de um bom partido, o mais cômodo e justo foi seguir o mesmo rumo. Um simples “se não pode vencê-los, junte-se a eles”. Dá para entender, embora seja difícil de admitir. Difícil para quem, como eu, ainda vê nas mulheres alguma perspectiva concreta. Para quem continua na base do rodízio, sem se importar com os sentimentos e nem saber o nome da última “vítima”, um abraço e vida que segue. A culpa é de vocês, não minha. Consciência tranquila de quem não compactua com insensibilidade e infidelidade. Partindo para mais polêmicas, analisemos outro aspecto.
O sexo não é mais um tabu, a virgindade se perde como um guarda-chuva novo. Isso pode ter sido impactante, especialmente a quem vivia em épocas em que um ombro descoberto era sinônimo de pouca vergonha. É a verdade e nós temos que encarar. Nossos adolescentes abordam o sexo nos seus assuntos mais corriqueiros do dia-dia. E muitos pais nunca suspeitam. Aliás, tem muita coisa que não sabem. As drogas e bebidas também chegam na mão dos jovens cada vez mais cedo, tornando-os dependentes desse mal, pois o vício se inicia com grande influência social, causando mais danos corporais e mentais.
Podemos perceber, portanto, que a irresponsabilidade reina na atual juventude. Não vejo saída imediata para curar esse precoce “crescimento”. Parece que a adolescência não mais existe e o caminho entre a infância e a maturidade foi encurtado. Triste. Os avanços tecnológicos, que poderiam tornar nossos jovens mais intelectuais e conscientes, parecem em vão. O caminho para a maturidade já está traçado e os atalhos já são conhecidos e bem disseminados. Do caminho da esbórnia apresentei as armadilhas. Cabe a você, jovem, decidir: irresponsabilidade ou consciência? A sorte está lançada.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Obra-prima
Da beleza de seus trejeitos
Ressaltam-se lábios vermelhos
Cobrindo-lhe os dentes perfeitos
Brilhando tais quais os espelhos
Seu rosto singelo e atraente
Fornece-lhe o uno encanto
Que brutalmente arrebata
Meu coração, minha mente
Envoltos em terno manto
À calmaria mui grata
Teus olhos me fitam, penetrantes
Porém, não me sinto inibido
Devolvo o olhar, num instante
Unindo-nos, decidido
Escuros, longos e lisos cabelos
Nariz bem medido, garboso, delicado
Rosadas bochechas feitas com esmero
Molda-se a face em distintos modelos
Embora o semblante que me deixa fascinado
Seja o gaúcho, tímido e sincero
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
Pétalas
Em constantes desencontros guiados pelo coração, recorro ao sentimento como instrumento de reflexão. Há quanto tempo é nela que penso, por vezes me vejo no espelho de seus olhos, reflexo do desejo, da ambição, da cobiça movendo o instinto masculino, tornando-o simples escravo, vassalo de sua dama, em entreouvidos do platonismo romântico.
Como desvendar os mistérios das garotas, tão frágeis e belas quanto a pétala da rosa, mas ao mesmo tempo, fortes, na personalidade e na habilidade de conseguir sempre o que querem. No momento que precisam, sabem recorrer aos apelos que nós homens, mal acostumados, não sabemos recusar, nem tampouco duvidar da corrupção afagável a qual nos submetemos, por inconsciência ou de braços abertos, a reconhecer a própria subordinação de nosso gênero, tantas vezes, injustamente, é bem verdade, posto à frente do feminino.
A mulher, acima de tudo, com sua graça e esplendor toma por si só nossas dores e temores, vedando as tristezas e carências, trazendo todo o bem que delas se espera em forma de carinhos e só os reprova quem muito aluado for ou a quem a devassa momentânea não atrai, por medo de que se torne intrínseca ou por qualquer outro distúrbio.
Certeza é que o amor a que me refiro me traz tranquilidade para continuar a sonhar e a viver os dias cada vez mais forte e, principalmente, convicto do valor que se deve dar às mulheres.
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Saudade
Me escapa ao almejo
A menina dos olhos
De lisos cabelos
E doce desejo
Pois muito que valha
Mas eis que ela zarpa
E deveras me talha
No peito com farpas
E se caso demore?
Cairei no esquecimento?
Peço que ignore
Tão triste pensamento
Trago a certeza
Em tais olhos se dá a rara beleza
De cor castanha
Tal qual as montanhas
No verão de uma tarde
Que ao menos por ora
Nunca existiu
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Batalha
Em tempos de luta e glória
Na bravura destaca-se o herói
No retorno há sempre a história
E o legado de quem a constrói
Em tempos de dificuldade
O sucesso não é evidente
Encare com muita vontade
Lute com unhas e dentes
Em tempos de fraqueza
Se faz necessária união
Combata as incertezas
Com força e determinação
Nos conflitos dessa vida
Arriscar é perigoso
A derrota é a ferida
Do guerreiro ocioso
Em meio a tantos confrontos
A sabedoria é notória
Preparando os que tanto almejam
O caminho para a vitória
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Ignorância Adolescente
Insisto que não sei. E reluto. Não sei e ponto. As dúvidas perpassam fervorosas a mente de um adolescente. A única maneira considerada útil para buscar as respostas da vida (ao menos nessa etapa dela) é questionar a maior quantidade de amigos possível, de modo a consolidar uma idéia que porventura já se tenha do assunto, ou mesmo aceitar novas interpretações e acatar novos conceitos. Pois bem. Mas não consigo. Quero seguir meu coração. Mesmo diante de uma gama considerável de opiniões, continuo a achar que o caminho mais correto está não somente perto, como dentro de mim. E é aí que mora o perigo.
O coração na juventude oscila com certa facilidade entre as inúmeras sensações que desejam ser experimentadas (e até mesmo as que já o foram). O amor é, de longe, o maior responsável pela mistura de todos os sentimentos em apenas um: nervosismo + estresse + felicidade + confiança + ciúmes = amor. Por conta disso, não se deve entender o coração apaixonado de um jovem, pois suas idéias, comportamentos e atos são coisas incertas, por vezes aleatórias.
E nesse ponto voltamos a meu problema. Em meio a um turbilhão de pensamentos não sou capaz de escolher um único, que consiga me acalmar, me acalentar, me volver sentido à vida. Tenho todas as cartas à mostra na mesa, porém a que preciso se esconde nas profundezas da manga de um terno velho vestido por um homem cujo nome não sei. Aliás, nada sei. E não sei o que será do sentimento que rodeia meu leve e movimentado coração. Se não sei o que será desse sentimento, como prever minhas atitudes por conseqüência dele? Pois é, para variar, não tenho a resposta. Isso porque sou jovem. Tenho coração de jovem. Logo, insisto que não sei. E reluto. Não sei e ponto final.
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Amor Subliminar
De onde vem este sentimento?
Onde se esconde o coração?
Recolheu-se, apaixonado, aqui por dentro
Ainda que eu não tenha perdido a razão
Gostei tanto, será mesmo de verdade
Ou será ainda um mero anseio, desejo
Um daqueles que vem e desaparece
Garanto ao dizer, bem à vontade
Estou em busca de seu doce beijo
Tanto que sem ti ao lado, o coração padece
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
A Vida
Certa vez, não lembro quando
Despertou um menino feliz
Pegou uma folha em branco
Traçou seus rumos a giz
Levantou logo cedo
Sem qualquer perspectiva
E buscou, sem medo
Alguma estratégia de esquiva
Procurou deixar explícitos
Da juventude, os devaneios
Mostrar a quem desejasse
Felicidade por diversos meios
Absorto em pensamentos
Esqueceu-se dos pesadelos
Deixou de lado os tormentos
Monstros em vários modelos
Sua obra inspirava a alma
De uma vida em liberdade
Apagou com toda calma
As mazelas da sociedade
O sofrimento não o atingia
A tristeza, tampouco, o convida
Pois esse menino sabia
Como viver uma vida