domingo, 22 de julho de 2012
Morena
sábado, 2 de junho de 2012
Auto Derradeiro
O show, afinal, nem sempre tem que continuar.
segunda-feira, 14 de maio de 2012
Náufrago
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
Tempo
E lembro-me bem dos planos que vivi
O tempo pra mim, sonhador, é cruel
A carroça não perdoa o passageiro devagar
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
Metalinguística
É um chato impertinente,
Seja ao menos competente!
Perfeccionista e ligeiro
Como as mãos do carpinteiro
Oh, rapaz, que belo furo
Garantiste teu futuro!
Mas atenção, iniciante,
Escolha bem seu informante!
Simplifique o complexo
E decifre o desconexo
Cuidado com as normas de escrita
Oh, rotina maldita!
E, de súbito, instigante...
Oh, labuta desgastante,
Como trazes tal fascínio
A essa droga viciante?
Traz-me um café, Diana,
É tanta tragédia urbana!
Não aguento mais essa vida,
Minha cabeça vai explodir!
Faço o lead, introduzo em seguida...
Quantas colunas devo inserir?
E factual, que diabo é isso?
Ora, rapaz, seja mais preciso!
Anda logo, fecha a matéria!
Acho que tô precisando de férias ...
Só falta o pé para rematar...
Voilá!
Ufa, que dia! Vamos pro bar!
Boa ideia, preciso espairecer
Hoje fico até o amanhecer!
Estou dispensando o lazer...
Mas é fim de semana, cidadão!
Tenho algo importante a fazer...
E o que seria, então?
Escrever, escrever, escrever
terça-feira, 12 de abril de 2011
A Chuva
Sim, sempre fui notável pela sensibilidade. Por vezes, era hábil no trato com palavras e mulheres, com natureza e harmonia, com sentimento e amor. No entanto, a chuva, munida de toda sua espontaneidade enquanto fenômeno da natureza, era algo que jamais consegui dominar. Sentia medo ao ver a chuva desfalecer com estrépito diante do parapeito da janela do segundo andar. O medo às vezes inverte o domínio. A chuva domina o homem.
Sempre achei que a chuva encurralava as pessoas em suas casas sem que fosse possível a elas sair do conforto dos lares sem receber uma boa dose de encharco. Encaro os pingos da chuva como golpes desferidos contra o ser humano que ignorou a supremacia do temporal. Esse destemido ente regressaria ao lar completamente molhado e o encharco que ele traria consigo simbolizaria os ferimentos da batalha contra a poderosa natureza. A chuva é o gladiador que esfaqueia com os raios de Zeus, como se chamasse um reforço de tropas para a guerra. A chuva é, por fim, o castigo de Deus para o ser humano que se atreve a dominar a natureza em sua instância mais avançada.
A chuva, contudo, não demonstra de cara seu potencial avassalador sobre a humanidade. Ela espera o momento certo para avisar ao homem que está na hora dele perceber quem é que dita as regras da vida terrena. Ela espera as noites mais sombrias para aparecer da maneira mais fascinante e severa. Nessas noites, apenas o homem que decide desafiar a natureza sai de casa. Sai para a escuridão da noite e se depara com uma batalha infinda contra as forças naturais. Talvez os mais bravos retornem intactos. Foi assim que aprendi a entender a chuva desde que aluguei esta casa numa pequena cidade do interior dos Estados Unidos.
Nesses dois anos e meio que passei morando por aqui, a chuva foi uma constante durante a noite, principalmente no rigoroso inverno. Perdi muitos sonos admirando-a. Por isso, posso lhe assegurar, caro leitor, que a chuva desta noite era diferente. Por isso mesmo, resolvi fazer algo que jamais havia planejado: desafiar o Hércules da natureza. Confesso que essa decisão foi deveras repentina e duvidei por um momento de minha sanidade mental. Mas estava seguro de meus objetivos. Determinado, desci as escadas e cheguei à porta.
Como morava sozinho, já estava acostumado a fazer as coisas por conta própria. Estava confiante, apesar de solitário. Abri a porta de olhos fechados esperando um batalhão inteiro demonstrar sua covardia com ferocidade. Após breves segundos, fui abrindo os olhos para presenciar um pouco do caos...mas nada acontecia. De jaqueta, saí para o jardim e transitei por uns cinco minutos pela rua deserta. Depois disso, retornei. Com grande surpresa, percebi que estava completamente seco. De imediato, atribuí tal fato à impermeabilidade da jaqueta. Ledo engano. A chuva desfere seus golpes apenas nos que ignoram seu potencial. Aqueles que a desvendam e demonstram seu respeito por ela, nada sofrem. O Hércules da natureza, afinal, reconhece a humildade dos homens.
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Funk - Cultura ou Apologia?
Pois bem, o rapaz pregava o gênero como uma maneira de produção de cultura das classes inferiores, ideia que contrapõe o que a classe média/alta adulta em geral pensa. Sim, eu digo adulta, pois todos sabem que o Funk se disseminou pelo país entre grande parte dos adolescentes e nem mesmo os degraus sociais foram capazes de conter tal avanço. Pois bem, voltando aos fatos, aquilo tudo, de início, parecia uma tentativa do funkeiro rivalizar com a classe média adulta - a plateia contava com professores e coordenadores de cursos -. No entanto, o respeito falou mais alto que qualquer cantiga promíscua entoada durante o discurso. O MC (perdoem-me, não me recordo o nome), em resumo, defendeu o Funk como uma cultura das comunidades das favelas, ou melhor uma forma de diversão e de entretenimento para essas pessoas, que possuem uma realidade bastante difícil. Indagado sobre a apresentação de um português incorreto nas músicas, o músico afirmou que a mídia deve respeitar o cotidiano dos funkeiros, já que é sabido que a maioria dos moradores das favelas possuem um baixo grau de instrução. Pausa para um batidão e uma água mineral, o assunto mais polêmico tomou conta da palestra.
Tão logo o funkeiro retomou a palavra, houve um pedido para que ele abordasse as questões do sexo e da criminalidade na música. Sem muito hesitar, ele alegou que por mais que a temática não seja a ideal, a cultura deve ser sempre incentivada, pois ela serve de alternativa a caminhos perigosos, como o tráfico de drogas, por exemplo. Além disso, se considerarmos que muitos garotos que seguem o rumo da música conviveram com traficantes passando por suas casas fortemente armados e ainda, mas em uma instância mais abrangente, levarmos em conta que muitos desses traficantes utilizam funkeiros para conseguir ascensão e reconhecimento, são compreensíveis letras com "Rap das Armas", que possui uma legião de nomes de todos os armamentos utilizados pelos chefes do tráfico.
Quanto ao sexo, podemos aplicar a mesma prerrogativa. A alta taxa de natalidade, a baixa utilização de anticoncepcionais e o convívio com pessoas que precisam da venda de seu corpo para conseguir dinheiro para seu sustento, também constituem o cotidiano dos funkeiros nas favelas. Isso explica as abordagens vulgares e sensuais nas músicas comumente tocadas até mesmo em boates da elite carioca. Respondido, tchau e bênção pro MC Cultura. Mas o buraco é mais embaixo.
Não se pode atribuir essas justificativas à temática do Funk e achar que está tudo resolvido. Como ficam nossos adolescentes, cantando por ai melodias mal educadas sem saber que estão tratando a dupla sexo+crime como algo banal? Pode parecer exagero achar que um gênero musical seja capaz de criar tendências em um grupo, mas se relembrarmos a revolução de diversos gêneros musicais, como o Rock'N Roll e todas as suas influências sobre as drogas e o próprio sexo, veremos que é uma opção bastante plausível. Cabe ainda a crítica quanto ao baixo nível das letras, as quais possuem rimas pobres e que, teoricamente poderiam ser feitas por qualquer um que se arriscasse nesse ramo da música. Por sinal esse item traz o último motivo para a não consideração do Funk como cultura: a carência de uma moral educativa e ética.
Dados os dois lados da polêmica, agora sim, podemos discutir quem está com a razão? Os funkeiros, munidos de seu argumento cultural, ou as classes mais abastadas, preocupadas com o impacto do Funk sobre seus filhos? Sinceramente, acho que ambos possuem suas razões, mas, ao mesmo tempo que defendo uma restrição mínima ao Funk dito como "pesado", também preciso lembrar que a audição das pessoas é seletiva para as músicas, logo, se ouve o que se quer ouvir, do mesmo modo que só se influencia quem se deixa influenciar.
Enfim, após um longo e tenebroso inverno, cá estou eu tirando as teias de aranha do teclado. Boa noite a todos, o poeta voltou!
terça-feira, 5 de outubro de 2010
Ele e Ela
Ele se desloca, ela se arruma
Ciente de seu gosto, ele se perfuma
Ele a espera, ela se apronta
O tempo passa e ela não se dá conta
Ele estende a mão, ela a toma sorridente
Talvez não faça ideia do amor que sente
Ele a beija, ela, aos poucos, se rende
A boca é o elo que nunca os desprende
Ele está convicto, ela, insegura
Procuram discutir alinhamento de postura
Ele não se toca, ela não reclama
Os dois desconhecem o andamento da trama
Ele sonha muito, ela é realista
Ainda não possuem do destino uma pista
Difícil é descobrir qual deles mais se ama
Feliz mesmo é aquele que, sem medo, os conclama
Respectivamente, o cavalheiro e sua dama
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
Quimera
Ele fitava o fim de tarde como se fosse a última coisa a fazer na vida. O sol se punha vagarosamente. O oeste se ocupava de uma luz límpida e forte, enquanto o leste já tomava seus tons de escuridão. Logo começaria a esfriar, pensou ele. Mais do que isso, o tempo certamente viraria. Era inverno em Teresópolis e o mês de julho passava rapidamente, conforme ele previra. A companhia de sua namorada o deixara muito feliz, desde o momento em que pegara o carro para se dirigir a sua segunda casa, na serra fluminense. Era necessário sair do praxe da cidade para curtir os poucos dias que lhes restavam de ócio.
E como era bela a vista do jardim. A rocha na qual se sentavam era plana o suficiente para que os dois apreciassem a paisagem abraçados. E não havia momento mais propício para admirar a cena, senão o fim de tarde. Não era preciso um diálogo, os dois estavam cientes da sincronia de pensamento. Era ali. O local deles finalmente fora encontrado. O local com o qual sonhavam há quase três meses. Restrito a eles, sem que ninguém os pudesse alcançar. Não era bem assim, mas o amor os fazia crer no improvável e a proximidade do sonho os fazia felizes ou, até mesmo, ingênuos. Agora, sim, os dois se sentiam em casa.
Passados trinta longos minutos de observação, a chuva começa a cair. Nada que os abalasse. Ele a abraçou mais forte para protegê-la dos gélidos pingos d'água. A tempestade se armara. Finalmente, ele disse: "Vamos entrar um pouco, amor". Ela assentiu com a cabeça e os dois caminharam até a simples, porém, valorosa moradia. Lá dentro, ele acendeu a lareira e sentou-se sobre o tapete de lã. Ela, enquanto isso, preparava um chá na pequena cozinha que ladeava a sala. Já se tornara costume, embora o tempo de estadia não ultrapassasse quatro dias, que os dois curtissem a maior parte do tempo juntos, sem que fosse preciso muitas palavras. Isso porque ainda não haviam se dado conta do que estavam vivendo. Era difícil explicar momentos tão intensos.
Com duas xícaras nas mãos, ela reapareceu ao seu lado. Olhou profundamente em seus olhos e beijou-o. E assim permaneceram por longas horas, nem mesmo a forte tempestade que se abatia sobre as janelas de vidro os incomodava. Pelo contrário, consideravam aquele o cenário ideal para essa experiência única. Aquilo tudo era inédito. Iriam para casa na manhã seguinte. A sensação era de terem vivido uma história. Um conto. Uma memória inesquecível. Mais que isso, um...Priiiiiiiii!
Já era manhã. Foi com grande violência que ele desferiu um soco no despertador. Aprontou-se, pegou a mochila e, desolado, partiu. A rotina voltara. Aquilo fora, de fato, um sonho.
domingo, 4 de julho de 2010
Palavras
Já há muito, tenho me proposto falar delas. Aquelas que tudo definem e tudo explicam. Aquelas que nos traduzem um sentimento ou descrevem um pensamento. São elas, pois, as palavras. As mesmas que tanto reluto em dizer, compõem nosso organismo, num refúgio momentâneo, e tendem a terminar (ou mereciam terminar) num pedaço de papel, numa carta de amor ou numa letra de música. Destino simples, fácil de chegar. Ao menos é o que parece. É preciso muita habilidade com elas, as palavras. No entanto, nem tudo está perdido, existe uma saída, ou melhor, uma receita, para o dilema das escritas românticas. Vejamos.
As palavras, na sua concepção mais bonita, formam verdadeiras obras de arte. Poesias, textos, cartas e histórias, escritas com esmero, constituem o que há de mais belo na mistura do léxico da língua portuguesa. Veja bem, não estou puxando a brasa para a minha sardinha, estou somente reconhecendo as maravilhas formadas pelas saudosas palavras. E é necessário imensurável atenção com elas. Se dissermos, por exemplo: “Eu não te amo mais”, o ouvinte subentende que um dia a pessoa que fala já o amou. Agora, se alguém diz “Eu não te amo”, quem ouve recebe a informação de maneira diferente, pois o sentimento amoroso parece nunca ter se manifestado. São casos muito simples e claros. De tola comparação, diria outro. É de tolices, porém, que vive o amor. Os amantes são comumente bobos e infantis no seu trato entre si. Que essa tolice se restrinja apenas aos momentos devidos, não englobando a sagrada hora da escrita.
Peguemos, então, o exemplo da carta de amor. Colocar no papel aquilo que se sente por alguém é, certamente, uma das tarefas mais difíceis na elaboração de um texto. Deve-se tomar cuidado com o que utilizar, para que o teor fique digno de receber a alcunha de carta de amor. Por outro lado, e falo por experiência própria, é fato que, no ápice do sentimentalismo, as palavras saem de mãos dadas, costurando as margens com as linhas do texto. E saem depressa, parece que o coração recebeu o dom da escrita e desandou a por em papel tudo que está nele incluído. Por isso, voltando à introdução, insisto na tese da composição parcialmente léxica da integridade do ser humano. Parcial na qual o maior representante é o coração. A mente nua e crua também possui seus vocábulos, mas nem se compara ao nosso órgão vital. Quem manda no exército lexical interno é o coração. O grande chefe do abecedário intrínseco.
Esse texto, nada mais é, do que uma tentativa de explicar o processo de transferência entre o nosso interior e o papel. Um amálgama de razão e emoção, na busca pela perfeição na escrita. Uma árdua missão, um caminho de obstáculos e armadilhas para os anti-sentimentais. A principal solução, como você, leitor, já deve ter reparado ao longo do blog, é buscar a resposta no coração. Ele dir-lhe-á sempre o melhor atalho para o sucesso. Aliás, ele acaba de me dizer.
Ass: Coração.
sexta-feira, 11 de junho de 2010
Dama Celeste
Esconde-se em lábios de mel
Uma suavidade que há muito não via
Ao teu lado descubro meu céu
Na mais bela arte da simpatia
A silhueta moldada em papel
Devolve-me o trunfo da nostalgia
O romântico retira-lhe o véu
que a timidez fardara-te um dia
O coração me domina insensível
Guiando-me às rotas de tua alegria
Empurra meu corpo, irredutível
Aos teus braços, num movimento inerte
Traz-me, logo, esse amor irresistível
Da mais bela dama celeste
sexta-feira, 28 de maio de 2010
O Par
Os primeiros passos mal desfilavam
Os vultos se curvam, decerto, errantes
Os olhos, raro e ao longe, miravam
O acanhamento de cada semblante
Nada como o tempo ditando o compasso
Da vida dos casais em perfeita sincronia
Sapatos a rigor me guiam aos teus passos
E os pares se entreolham à luz da fantasia
Eis que na iminência do passo derradeiro
O amor bate à porta do jovem coração
Trazendo à tona feliz cavalheiro
Com delicada dama segura na mão
quinta-feira, 13 de maio de 2010
Verdade
A verdade nua e crua, tal qual a de um sorriso
Produz certeza clara, o indubitável conciso
A mentira desonesta no clamor do governante
Corrobora triste tese da integridade errante
A convicção dos fatos transcende a inferência
Deturpando falsos atos, recobrando as evidências
Fidedignas palavras na mente de um mal cunho
Me condenam, de repente, a um falso testemunho
A completa extinção do apego ao verdadeiro
Transforma simples sonhos em percalços derradeiros
Por isso, meu amigo, siga sempre a honestidade
P'ra que desmedido encanto não fuja à veracidade
quinta-feira, 29 de abril de 2010
Cidade Solidão (2ª Versão)
Ermas ruas da cidade solidão
Onde caminho sem rumo
Sem motivo, nem razão
Onde as rotas mais avulsas
Me direcionam à contramão
E a passarela de outrora
Perdeu a alcunha de Calçadão
Ermas ruas da cidade solidão
Onde o inverno congela tudo
O que um dia já foi emoção
Onde os pássaros já não cantam
Nas manhãs do meu verão
E belas tardes ensolaradas
Do Arpoador ao Galeão
Desvaneceram como o vôo
Fugaz e súbito do avião
Ermas ruas da cidade solidão
Onde as flores que desabrochavam
Perderam seu charme em botão
Onde a promessa de sucesso
A nordestinos que chegavam
Fadava-se ao regresso
E ao demérito da exclusão
Ermas ruas da cidade solidão
Onde os prédios mais bonitos
Desmoronaram no chão
Onde o boêmio virou mito
Nos Arcos de prostituição
E os braços do Grande Homem
Já não enlaçam a população
Ermas ruas da cidade solidão
Onde o templo do futebol
Sepultou os pés de Zico e Tostão
E o rock dos brasileiros
Não viu Cazuza nem Legião
Ermas ruas da cidade solidão
Onde a guerra sobrevive
Entre drogas e munição
Onde os tempos mais difíceis
Vieram de supetão
E nas horas mais perversas
Encontro refúgio no coração
terça-feira, 13 de abril de 2010
Dedé
Empolgação costumeira
Impossível cogitar meu carinho medir
Solícita hospedeira
Inexplicável saudade de ti
Foram tempos deveras cruéis
Levando-nos a fantasia
E a distância veio então
Sonhar não custa dez mil réis
Cabe a cada um a sabedoria de ver...
Há amigos dentro do coração
Fê
Faço de minha rotina
Escrever sobre amores mundanos
Recordo-me duma dançarina
Não faz tempo, menos de um ano
Ainda embora um anjo seja
Não tive o bel prazer
De que finalmente a veja
Assim, então, conhecer
Mas o dia há de chegar
Um bocado mais espero
Lenta como a tempestade
Leva um tempo para passar
E eu anseio, bem sincero
Reforçar essa amizade
domingo, 4 de abril de 2010
A Despedida
Eram 10 da manhã. Ele levantou da cama, pegou seus chinelos, vestiu um casaco e saiu de casa. No jardim, olhou para o céu. O tempo virara. Talvez fosse simbólico. Um clima ameno, uma fina brisa soprava contra seu rosto, um frio leve, uma manhã de despedida. Sentou-se na rede a olhar para o infinito azul do céu. Encolheu-se a fim de se manter aquecido. O calor o fazia lembrar da amada, de seu colo terno e quente. Pela cabeça, passava a retrospectiva dos últimos dias, todos os momentos felizes dos quais jamais esqueceria.
Lembrava do quanto fora engraçado comparar o sotaque do Rio Grande do Sul com o carioca. Lembrava das maravilhosas pessoas que havia conhecido por lá. Lembrava do chimarrão que não lhe agradara muito. Lembrava de como seu amigo se tornara seu fiel companheiro de viagem, e ria-se ao vê-lo dormindo desajeitadamente no sofá. Lembrava da cidade de Nova Petrópolis, aconchegante e acolhedora, tal como a casa em que se hospedava. Lembrava, apesar de ainda estar por lá, pois a saudade já batia forte. Acima de tudo, porém, lembrava-se da guria. A sua razão de estar ali. O motivo de tanto esforço. Aquela que o fazia o homem mais feliz do mundo, em sua modesta e sincera opinião. Os momentos com ela passaram rápido demais, pensava ele. Rápidos como o vento que agora incidia sobre sua face.
De repente, desviando seu olhar vago por não mais que um segundo, ele percebe a presença dela, se aproximando, agasalhada a se proteger do frio, como ele. Levantou de um salto e correu a seu encontro. Beijou-lhe os lábios, apertou-lhe as rosadas bochechas, as quais ele jurava atraírem-no por completo, e abraçou-a. Após certa troca de carinhos, ela o alertou que deveria ir para casa, para ambos se arrumarem para a despedida. Concordando, ele a largou. Dentro de casa, percebera que sua doce hospedeira já acordara, tal como seu sonolento amigo. Recebeu um leve tapa nas costas desse último, como cumprimento. Teria muito a agradecê-lo pela companhia numa longa viagem, mas pensou deixar isso para uma mesa de bar no Rio de Janeiro. Arrumou calmamente suas malas. Percebeu que a carga diminuíra, uma vez que dera presentes a várias pessoas, dentre elas, sua amada gaúcha. Quando acabou, rumou para a cozinha, onde observava com certa melancolia a hospedeira preparar o almoço. Sempre solícita e amorosa, deu-lhe um forte abraço. Sentia-se, agora, um pouco melhor.
Pratos limpos, já era hora de levar as bagagens para o carro. Sua guria já havia voltado. O chofer, outra grande figura, havia acabado de estacionar. Os levaria até a rodoviária. Restava ainda uma hora. Resolveram tomar um café, enquanto papeavam sobre a viagem. A hora passou rápida como o vento da manhã e as altas conversas deram lugar a uma caminhada silenciosa até a rodoviária. O grupo se desmembrou para esperar o ônibus, de modo que sobrassem ele e ela sozinhos. Abraçaram-se por um longo tempo, o suficiente para ser o mais inesquecível abraço que já recebera. Juras de amor e frases feitas não diziam nada, naquele momento. Os olhos nos olhos poupavam as palavras. Seus olhos começaram a marejar. Ela logo os secou, lembrando-lhe da promessa da noite anterior na qual dissera não chorar em sua presença. Ele parou em um profundo soluço e engoliu em seco.
O ônibus chegara. Era hora de terminar aquele sonho, aquele tempo estacionado na realidade dura da vida. Ele a beijou e deu meia volta. Não por falta de educação, mas sim porque não dava mais para segurar. Ele entrou no ônibus e sentou-se, inconsolável. Seu parceiro veio ao lado, dando-lhe um abraço. Ele ainda chorava copiosamente. Minutos de silêncio depois, seu colega disse: “É bonito demais ver vocês dois juntos...”. O garoto levantou a cabeça, secou as lágrimas e sorriu. Finalmente, virando-se ao amigo, falou: “Foram momentos incríveis, meu caro. De fato, não me arrependo de nada. Uma pena ter chegado ao fim. Mas deixa estar. Voltaremos em breve...”.
domingo, 28 de março de 2010
Descaminhos da Juventude
Diante de fatos cada vez mais costumeiros do nosso cotidiano, me vejo obrigado a esclarecer certas coisas sobre a nossa atual juventude. Antes de tudo, é bom alertar, as nossas crianças mudaram. Muito. É exatamente essa metamorfose que tenho me proposto retratar por aqui e é chegada a hora. Pois bem, vamos lá.
Onde estão as crianças que antes brincavam com seus bonecos e se divertiam sem outras preocupações? Talvez isso não seja novidade pra você, leitor, mas isso é coisa rara hoje em dia. Em pleno início de puberdade, encontramos jovens cada vez mais “maduros” quanto a certos assuntos. Vejamos.
Os relacionamentos entre homem e mulher já criam suas raízes prematuramente. E a frequência deles, idem. Essa é a chamada “pegação” na qual os galinhas (pegadores, se preferir) já dão as caras com seus 14 anos. Falando desse modo, as garotas parecem sair ilesas desse processo. Mas não é bem assim. Aliás, isso nos leva a outro tópico: como ficam as mulheres diante de tanto assanhamento e assédio? Sejamos francos, as mulheres brasileiras têm se tornado bastante fiéis à moda da “poligamia consentida”. Não digo todas, longe disso, vejam bem. Esperem eu terminar a linha de raciocínio para depois tacarem as pedras. Pois então. A facilidade encontrada para sair com aquele outrora tão sonhado beijo romântico é imensa. E não apenas um na mesma noite! Dito isso, vejamos o que as levou a tanto.
Sendo curto e grosso, a culpa é toda dos homens. Sim. Única e exclusivamente nossa. Se a infidelidade não imperasse no sexo masculino, as mulheres não seriam obrigadas a se submeter a esse regime de “ficanças” aqui e acolá. É bem verdade que as mulheres tem liberdade para decidirem o que quiserem, mas se têm a opção de tomar esse caminho, foi porque os homens abriram essa brecha. A voz ativa das mulheres nunca foi tão grande quanto agora, por isso digo que elas correrram atrás do método masculino, visto que antes se subordinavam a eles, se limitando a tarefas caseiras, enquanto os mesmos trabalhavam. Para não sofrer à procura de um bom partido, o mais cômodo e justo foi seguir o mesmo rumo. Um simples “se não pode vencê-los, junte-se a eles”. Dá para entender, embora seja difícil de admitir. Difícil para quem, como eu, ainda vê nas mulheres alguma perspectiva concreta. Para quem continua na base do rodízio, sem se importar com os sentimentos e nem saber o nome da última “vítima”, um abraço e vida que segue. A culpa é de vocês, não minha. Consciência tranquila de quem não compactua com insensibilidade e infidelidade. Partindo para mais polêmicas, analisemos outro aspecto.
O sexo não é mais um tabu, a virgindade se perde como um guarda-chuva novo. Isso pode ter sido impactante, especialmente a quem vivia em épocas em que um ombro descoberto era sinônimo de pouca vergonha. É a verdade e nós temos que encarar. Nossos adolescentes abordam o sexo nos seus assuntos mais corriqueiros do dia-dia. E muitos pais nunca suspeitam. Aliás, tem muita coisa que não sabem. As drogas e bebidas também chegam na mão dos jovens cada vez mais cedo, tornando-os dependentes desse mal, pois o vício se inicia com grande influência social, causando mais danos corporais e mentais.
Podemos perceber, portanto, que a irresponsabilidade reina na atual juventude. Não vejo saída imediata para curar esse precoce “crescimento”. Parece que a adolescência não mais existe e o caminho entre a infância e a maturidade foi encurtado. Triste. Os avanços tecnológicos, que poderiam tornar nossos jovens mais intelectuais e conscientes, parecem em vão. O caminho para a maturidade já está traçado e os atalhos já são conhecidos e bem disseminados. Do caminho da esbórnia apresentei as armadilhas. Cabe a você, jovem, decidir: irresponsabilidade ou consciência? A sorte está lançada.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Obra-prima
Da beleza de seus trejeitos
Ressaltam-se lábios vermelhos
Cobrindo-lhe os dentes perfeitos
Brilhando tais quais os espelhos
Seu rosto singelo e atraente
Fornece-lhe o uno encanto
Que brutalmente arrebata
Meu coração, minha mente
Envoltos em terno manto
À calmaria mui grata
Teus olhos me fitam, penetrantes
Porém, não me sinto inibido
Devolvo o olhar, num instante
Unindo-nos, decidido
Escuros, longos e lisos cabelos
Nariz bem medido, garboso, delicado
Rosadas bochechas feitas com esmero
Molda-se a face em distintos modelos
Embora o semblante que me deixa fascinado
Seja o gaúcho, tímido e sincero
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
Pétalas
Em constantes desencontros guiados pelo coração, recorro ao sentimento como instrumento de reflexão. Há quanto tempo é nela que penso, por vezes me vejo no espelho de seus olhos, reflexo do desejo, da ambição, da cobiça movendo o instinto masculino, tornando-o simples escravo, vassalo de sua dama, em entreouvidos do platonismo romântico.
Como desvendar os mistérios das garotas, tão frágeis e belas quanto a pétala da rosa, mas ao mesmo tempo, fortes, na personalidade e na habilidade de conseguir sempre o que querem. No momento que precisam, sabem recorrer aos apelos que nós homens, mal acostumados, não sabemos recusar, nem tampouco duvidar da corrupção afagável a qual nos submetemos, por inconsciência ou de braços abertos, a reconhecer a própria subordinação de nosso gênero, tantas vezes, injustamente, é bem verdade, posto à frente do feminino.
A mulher, acima de tudo, com sua graça e esplendor toma por si só nossas dores e temores, vedando as tristezas e carências, trazendo todo o bem que delas se espera em forma de carinhos e só os reprova quem muito aluado for ou a quem a devassa momentânea não atrai, por medo de que se torne intrínseca ou por qualquer outro distúrbio.
Certeza é que o amor a que me refiro me traz tranquilidade para continuar a sonhar e a viver os dias cada vez mais forte e, principalmente, convicto do valor que se deve dar às mulheres.